Projeto de escola pública vinculado ao Impróprias conquista prêmio na FECINTEC e é finalista da FETEC-MS
O projeto “Linguagem e a Produção das Diferenças Raciais: Currículo e Pedagogia Cultural em Dispositivos Linguísticos na Internet”, desenvolvido por estudantes do 9º ano A da Escola Estadual Henrique Ciryllo Corrêa, em Campo Grande (MS), e vinculado ao Impróprias – Grupo de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Diferença (UFMS/CNPq), conquistou o prêmio “Projetos que valorizam a história, cultura e tecnologias sociais afro-brasileiras e indígenas” na Feira de Ciências e Tecnologia do IFMS (FECINTEC).
O trabalho foi desenvolvido pelos estudantes João Pedro Loubet da Silva, Breno Winckler Silveira e Arthur Teixeira Vieira das Graças, sob orientação do professor Silas Miquéias da Silva Boldo e coorientação do professor Derick Trindade Bezerra.
O projeto também foi selecionado para representar a escola na Feira de Tecnologias, Engenharias e Ciências da UFMS (FETEC-MS), na área de Linguagens, consolidando o compromisso da escola com a produção científica, a educação antirracista e a valorização das diferenças raciais no ambiente escolar.
A pesquisa investiga como a linguagem atua na produção das diferenças raciais no Brasil contemporâneo, especialmente no espaço digital, analisando músicas, memes, vídeos e postagens como artefatos culturais que ensinam modos de ser, agir e pensar. A partir dessa perspectiva, os estudantes desenvolveram uma leitura crítica dos discursos multimodais presentes nas redes, refletindo sobre currículo, pedagogia cultural e relações de poder nos processos de subjetivação.
“Esse projeto mostra que a escola pública é um espaço potente de produção de ciência e reflexão crítica. Ensinar é também olhar para os discursos que nos formam e pensar como podemos transformá-los em ferramentas de emancipação e justiça racial”, destaca o professor Silas Miquéias da Silva Boldo, orientador do trabalho e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu/UFMS), integrante do Impróprias.
Videocast educativo “Vozes Negras na Educação”
Como desdobramento da pesquisa, o grupo criou um videocast educativo sobre letramento racial, composto por dez episódios — cinco já gravados e cinco em produção — que discutem temas como:
- Literatura afro-brasileira e representatividade;
- Moda, estética e identidade negra: práticas de resistência;
- Narrativas históricas e a disputa da memória afro-brasileira e indígena;
- Educação inclusiva e antirracista;
- Mulheres negras em espaços de poder.
O videocast será lançado no dia 19 de novembro, durante a Semana da Consciência Negra, e ficará disponível no canal da Escola Estadual Henrique Ciryllo Corrêa no YouTube. Acesse o videocast “Vozes Negras na Educação” aqui
Além do videocast, os estudantes estão produzindo materiais de divulgação — postagens para Instagram e TikTok — com o objetivo de ampliar o letramento racial dentro e fora da escola.
Os três alunos responsáveis pelas análises premiadas — Breno, Arthur e João Pedro — estão agora revisando seus textos para publicação em revistas científicas voltadas à educação básica, consolidando o papel da escola pública como espaço de produção de conhecimento, crítica e transformação social.
“Nosso objetivo é continuar produzindo ciência e práticas antirracistas a partir da escola pública, ampliando o alcance dessas discussões para toda a comunidade”, finaliza o professor Silas Miquéias da Silva Boldo.

Professor Derick Trindade Bezerra, co-orientador; estudantes João Pedro Loubet da Silva, Breno Winckler Silveira e Arthur Teixeira Vieira das Graças; e o professor orientador Silas Miquéias da Silva Boldo.
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Texto: Assessoria de Comunicação do Impróprias (CNPq/UFMS)
Fotos e Colaboração: Escola Estadual Henrique Ciryllo Corrêa (Campo Grande – MS)
